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Das 283 logtechs mapeadas pelo Distrito, 50% foram fundadas entre 2015 e 2020.

Startups de logística

Crescimento do varejo e aportes milionários dobram número de logtechs no Brasil em 5 anos

Maria Clara Dias, especial para o GazzConecta
22/10/2020 21:26
Unir a eficiência logística ao uso de tecnologia é a grande missão das logtechs, startups que têm ganhado destaque no Brasil. Nos últimos cinco anos, o número de logtechs dobrou, atingindo o total de 283 empresas, de acordo com o levantamento Distrito LogTech Report, feito pela empresa de inovação aberta Distrito e divulgado na última terça-feira (20). As empresas do setor também têm expressado um crescimento acelerado e padrões estáveis de consolidação no mercado.
Das 283 logtechs mapeadas, 50% foram fundadas entre 2015 e 2020.  De acordo com Tiago Ávila, head de dataminer na Distrito, os últimos cinco anos foram, para a maioria dos setores, sinônimo de crescimento alavancado. Para ele, o grande "boom" do período está relacionado não apenas ao avanço na digitalização de processos, mas pela confiança do mercado em startups brasileiras.
“O investidor passou a ter uma segurança maior no mercado brasileiro de startups, até mesmo investidores estrangeiros, e isso estimula o crescimento das logtechs”. Somente nos primeiros nove meses deste ano, a área atraiu US$ 187,6 milhões em aportes e, desde 2011, o montante é de US$ 1,3 bilhão.
Somado a isso, está o crescimento exponencial do varejo durante o ano de 2020. “O setor logístico acompanha diretamente o setor de varejo, e dos dois cresceram tanto em investimento quanto em fomento de ecossistema — que vai de hubs de inovação a aceleradoras”, diz.

Principais categorias e investimentos

Na pesquisa, as logtechs essão subdivididas em cinco áreas de atuação: gestão logística (43,6%), entrega (19,4%), logística reversa (12%), estoque (11,3%) e marketplace de frente (11%). As mais populares, voltadas à gestão logística, englobam gestão de entrega, frota e carga, promovendo melhorias em processos já existentes com uso massivo de tecnologias como inteligência artificial (IA) e internet das coisas (IoT).
Segundo Ávila, a disparidade no número de logtechs na categoria de gestão logística acontece devido ao fato de essa não ser uma categoria baseada em hard skills, mas sim em soft skills.
“Muitas startups da gestão logística entram para melhorar a eficiência e o relacionamento, mas não necessariamente representam uma disrupção. Elas buscam melhorar ineficiências que o mercado carrega há décadas e isso exige conhecimento de mercado, e não técnico”, explica.
No entanto, apesar de representarem a grande maioria das logtechs no Brasil, a startups de gestão logística perdem em mobilização de aportes. 74% de todo o investimento já realizado em logtechs brasileiras foi destinado à categoria de entrega, totalizando US$ 911,1 milhões.
Investimentos no iFood alavancaram a categoria de entregas para a principal entre os aportes recebidos por logtechs.
Investimentos no iFood alavancaram a categoria de entregas para a principal entre os aportes recebidos por logtechs.
De acordo com o estudo, isso se deve aos grandes investimentos nas startups iFood e Loggi. “Investidores são atraídos por modelos de negócios disruptivos e escaláveis, o que concentra um volume financeiro muito grande em grandes startups”, diz. “Grandes aportes são necessários para startups que implementam modelos de negócio disruptivo, que precisam ganhar escala de forma rápida, o que não é o caso da gestão, que foca em melhorias”, explica Ávila.

Tendências para a logística

A principal tendência para a área logística, segundo Ávila, é a consolidação simplificada de empresas que dependiam de testes de  modelo de negócio para serem validadas. “A pandemia trouxe uma nova necessidade no fator de consumo, pessoas mudaram seus hábitos, o que fez com que empresas adaptassem a forma com que suas soluções chegam aos consumidores.”
Ávila diz que, no médio prazo, é possível que o Brasil tenha startups mais maduras e estáveis no mercado, e que é possível que não observemos um surgimento absurdo de novas empresas. “Vemos sim uma oportunidade do surgimento de startups, mas não um número absurdo, mas seguindo uma tendência de escada - o que vemos desde 2013.
Entre as principais tendências, o relatório também aponta o uso de blockchain para o rastreamento de toda a cadeia de suprimentos; entregas sustentáveis, que apostam em modalidades de transporte com impacto mínimo ao meio ambiente; logística reversa, para destinar produtos reciclados de volta ao ciclo produtivo e para o aproveitamento de insumos e a integração entre os setores varejista, financeiro e logístico para trazer mais agilidade e melhorar a experiência do consumidor.
Com a crescente necessidade por digitalização e diferenciais competitivos, o estudo ainda aponta uma forte tendência para aquisições de startups por grandes empresas. Em 2020, foram realizadas 13 aquisições, das quais quase 50% foram efetivadas por grandes varejistas como Via Varejo, B2W e Magazine Luiza, que adquiriram as startups ASAP LOG, Supermercado Now e AiQFome, respectivamente.

Logtechs: destaques e apostas

O levantamento destaca as dez logtechs fundadas após o ano de 2012 e que devem prosperar nos próximos anos, com base em critérios como investimentos recebidos e visibilidade nas redes sociais. São elas:
  • Shopper
  • Pathfind
  • Vuxx
  • Mottu
  • Bee Delivery
  • Melhor Envio
  • Intelipost
  • Carbono Zero Courier
  • Everlog.

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