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Alisson Souza e Thaisa Batista, fundadores da Abler.

Recrutamento

Candidatos satisfeitos e robôs só quando necessário: as estratégias da startup Abler para ganhar o mercado de recrutamento

Maria Clara Dias, especial para o GazzConecta
15/08/2023 19:05
A complexidade comum aos processos seletivos não é novidade para ninguém. Nem para os candidatos, tampouco para empresas com vagas em aberto. A variedade de etapas envolvendo a seleção de um novo profissional, dos testes de habilidade a admissão são capazes de colocar de pé os cabelos de muitos recrutadores.
Isso explica, em parte, a popularidade das plataformas de recrutamento e seleção. Com adoção intensa de tecnologia para simplificar o processo todo, as HRTechs — apelido atribuído às startups de recursos humanos — se dedicam a dinamizar a seleção e chegada de novos colaboradores nas empresas. Nos últimos anos, empresas como Gupy, Kenoby e Sólides inauguraram uma nova era nos processos seletivos, criando modelos de negócios que vão além dos portais para publicação de vagas e seleção de currículos, e adotando algoritmos e recursos refinados para a escolha mais assertiva (e rápida) de candidatos.
Mas, para os empreendedores Alisson Souza e Thaisa Batista, isso não era o suficiente. Especialistas em recursos humanos, os dois sentiam na pele a ausência de plataformas capazes de dar conta de processos seletivos mais robustos e com número elevado de vagas ofertadas de uma só vez. Na consultoria de recrutamento em que trabalhavam, por exemplo, esse era um problema recorrente.
Juntos, os dois ficaram a cargo de implementar um software de recrutamento interno para melhorar os processos seletivos conduzidos pela consultoria. Depois de muitas pesquisas de mercado, a adoção de uma plataforma foi concluída. Dois anos depois, porém, a insatisfação: a tecnologia não atendia às necessidades de grandes clientes — entre elas, a busca por agilidade. “O fornecedor não parecia interessado em incorporar recursos de tecnologia para melhorar a ferramenta. Vimos que no exterior o uso de ferramentas como inteligência artificial e Big Data já estava bem avançado nesse meio, mas aqui não”, conta Alisson Souza, cofundador da Abler.
“Sempre fomos curiosos em tentar entender o que poderia trazer mais eficiência e processos mais rápidos e assertivos nos processos”, complementa Thaisa.

Nasce a Abler

Da percepção da disparidade entre o uso de tecnologia por empresas e startups de recursos humanos no exterior e no Brasil surgiu a “Contrata Aí”, um embrião do que futuramente seria a Abler - e também um projeto intraempreendedor. Por conta própria, Souza e Batista desenvolveram uma plataforma com potencial de solucionar parte dos problemas da consultoria. “Provamos que não havia uma solução tão robusta no mercado e que a melhor ideia era desenvolver aquilo internamente”, lembra Souza.
A ideia, contudo, não foi bem aceita pela diretoria, que descartou o projeto. Decididos a tirar a ideia do papel, os dois pediram as contas e resolveram empreender. “Decidimos seguir adiante, com a certeza de que, no futuro, aquela empresa seria um cliente do nosso produto”, diz Souza.
A previsão se tornou realidade meses depois. Com o fim do contrato com o fornecedor anterior, a consultoria procurou os dois ex-funcionários. “Perguntaram o que precisávamos e quanto era necessário para começarmos a rodar a plataforma”, diz Alisson. A empresa, então, investiu cerca de 200 mil para que a Contrata Aí se tornasse uma espécie de “software house”, desenvolvendo um projeto piloto exclusivo durante um período de cinco meses. “Aquele valor foi o nosso primeiro faturamento. O voto de confiança de que precisávamos”, conta o empreendedor.
Em novembro de 2018, a empresa passou a operar, tendo a consultoria como primeiro grande cliente. De lá para cá, expandiu sua carteira, e hoje atende grandes companhias como Profarma, Wap, Daju, RH Nossa e o Grupo Barigui. Ao todo, a empresa conquistou mais de 5,8 milhões de pessoas candidatas cadastradas no seu banco, além de 350 empresas e 125 mil contratações.
Hoje, além de oferecer a plataforma de recrutamento a consultorias, a Abler também atende RHs internos de empresas. Com isso, alcança setores como indústrias, varejistas (que têm altos índices de turnover), empresas de terceirização, de telecomunicações, marketing e também instituições financeiras.
Em 2021, a startup recebeu um investimento-anjo de R$ 1,2 milhão dos fundos Bossa Nova Investimentos, Levain Ventures e Curitiba Angels. Desde então, os recursos têm sido utilizados para acelerar a máquina de vendas e melhorias tecnológicas na plataforma.

Quais são os diferenciais da Abler?

De acordo com os fundadores, o que torna a Abler diferente das incontáveis plataformas de recrutamento da atualidade é o foco na experiência do candidato. Na plataforma da Abler, argumentam, não há espaços para erros e avaliações negativas sobre o excesso de testes ou dificuldades em atualizar um perfil.
“Desde o início, não prezamos apenas pela experiência do recrutador, porque sabemos que o candidato é a parte mais importante do mercado”, diz o fundador. Como uma espécie de “marketplace de candidatos”, a Abler ajuda os usuários a unificarem seus dados em um único perfil, que se mantém independente da candidatura em diferentes empresas.
Além disso, a startup garante que parte considerável dos processos de avaliação não depende apenas de robôs ou algoritmos de IA. “Pode ter certeza que, na Abler, não é um robô que vai te desclassificar, é sempre um humano. A humanização é vital nesse mercado, e sempre será”.

Novos planos

O futuro da startup está marcado pela ambição de ser mais do que uma plataforma para recrutamento de candidatos. Em agosto, a empresa adotou novo posicionamento de mercado para se estabelecer como uma “solução completa” para o processo de recrutamento e seleção.
Nesse esforço, a empresa passou a incorporar novas funcionalidades. Entre elas, a de permitir personalizações como etiquetas, mudanças de layout e até mesmo a integração com ChatGPT para auxiliar recrutadores a criar modelos de feedbacks e de perguntas para entrevistas.
Agora, o objetivo é incorporar outras tantas atualizações, como uma nova versão do portal acessível aos candidatos e, também, apostar em setores ainda inexplorados pela empresa, como o da educação. “Entendemos que também podemos ser uma viabilizadora de boas práticas, com orientações para o RH. E vamos ter conteúdos educativos com esse intuito”, diz Thaisa.
Com essas e outras novidades, a Abler quer logo poder ir além do recrutamento e seleção. Nos planos para o futuro, a empresa espera ajudar as empresas nos processos que antecedem e também sucedem uma contratação. “Vamos ajudar os RHs na estruturação de um bom plano de cargos e salários, na admissão, onboarding. São muitas etapas antes de contratar um candidato”, explica Souza. “Depois, tem toda a parte burocrática de gestão ligada a exames, pedidos de férias etc. No futuro podemos estar em tudo isso”.

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