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Inovação

Crises são aceleradores que transformam nossa vida para melhor

Bruno Dreher*
13/06/2020 11:00
Encarar crises sociais e econômicas são processos dolorosos para a grande maioria das pessoas. Estamos passando por um momento no qual é difícil ver algo positivo. Vivemos com medo e vemos as estatísticas sanitárias e econômicas nos entregando péssimas notícias diariamente.
Todos nós somos preocupados com o futuro. A palavra em si já define que a preocupação é sempre referente ao que está por vir: pré (antes) - ocupação. Ou seja, é uma antecipação de algo que ainda está para acontecer. E é bom que seja assim!
Nós usamos do raciocínio para reconhecer os padrões do passado para nos pré-ocuparmos sobre o futuro e fazemos isso até nas pequenas coisas: sabemos que escovar os dentes é importante para uma boa saúde bucal. Baseado nisso, sabemos que, após uma refeição, devemos escovar os dentes.
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Outro exemplo é quando vamos escolher um restaurante. Se um amigo indica um restaurante pois teve uma ótima experiência ou se buscamos na internet um restaurante bem avaliado, nós esperamos também ter uma boa experiência. Os padrões do passado geram as nossas expectativas para o futuro.
Crises sempre foram territórios férteis para a maravilhosa capacidade humana de identificar e resolver problemas. Elas escancaram necessidades que afloram a nossa criatividade.
A Primeira Guerra Mundial, assim como qualquer guerra, foi uma catástrofe para a humanidade, aniquilando cerca de 20 milhões de vidas. Um médico, porém, percebeu um padrão: a maioria dos soldados não morriam pelos ferimentos em combate, mas sim pelas infecções destes ferimentos, que se espalhavam e ocasionalmente levavam à morte. Este médico se chamava Alexander Fleming e criou a penicilina. Assim nasciam os antibióticos, que passaram por diversas melhorias e até hoje são grandes agentes na preservação da vida.
A crise econômica mundial de 2007-2009 gerou uma série de demandas. Uma delas foi na mobilidade: pessoas que haviam perdido o emprego precisavam de uma atividade, enquanto outros precisavam ser mais inteligentes nos gastos dos seus recursos. Uma empresa decidiu conectar estas duas necessidades e assim, em março de 2009, nascia a Uber.
Coisa muito similar aconteceu na crise brasileira de 2014-2016. Com o PIB caindo e desemprego aumentando, as pessoas também passaram a buscar formas de economizar recursos. Então, apareceu o Nubank oferecendo cartões de crédito e depois conta corrente sem taxas. A migração para este modelo foi tão grande que, hoje, o Nubank tem um valor de mercado de cerca de R$ 50 bilhões, e já vemos no mercado dezenas de bancos oferecendo este tipo de serviço.
A humanidade está em constante mudança e, apesar das turbulências, vivemos cada vez mais tempo e com uma qualidade de vida cada vez maior. Os momentos como os de agora são difíceis, mas são grandes aceleradores das mudanças que transformam nossa vida para melhor. Empresas quebram, empregos somem e a incerteza nos preocupa. Mas novas empresas e empregos surgem e sempre saímos melhor do que entramos.
*Bruno Dreher é consultor, palestrante, especialista em inovação pela Universidade Hebraica de Jerusalém, membro da World Futures Studies Federation (Paris, França) e World Future Society (Chicago, EUA).

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