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Luanna Toniolo, CEO e fundadora da Troc.

Sustentabilidade e tecnologia

Logística reversa e consumo consciente levam brechó online Troc a faturar R$ 10 milhões

GazzConecta, com colaboração de Millena Prado
30/10/2020 17:59
Representando 20% da poluição industrial da água no planeta e somando US$ 500 bilhões ao ano em roupas que vão para aterros e não são recicladas, a indústria da moda é a segunda mais poluente do mundo, segundo dados da ONU Meio Ambiente. É com base neste cenário que a startup curitibana Troc busca ajudar na conscientização e redução deste impacto ambiental, aliando tecnologia, logística reversa e parcerias de peso.
Na prática, as clientes encaminham suas roupas para o brechó, que os seleciona e comercializa em troca de uma comissão por cada peça. No e-commerce, são vendidas roupas de segunda mão com valores que começam em R$ 20 e podem chegar a R$ 15 mil.
Na visão da CEO da Troc, Luanna Toniolo, a pandemia impulsionou uma busca por repensar o consumo. Fruto disso foi o crescimento na demanda e necessidade de expansão da empresa. A loja online acumulou uma fila de espera de três mil pessoas para a venda de roupas usadas.
O aumento da demanda motivou contratações. A empresa foi de 17 para 32 funcionários, registrou crescimento de 124% no número de peças processadas e de 42% no número de vendas.
Desde 2016, a startup já processou mais de 250 mil peças, que passam por análise e fotografia, para então ficarem disponíveis no site para a venda. O faturamento registrado no final de 2019 foi de R$ 10 milhões.
Em setembro a Troc recebeu um aporte (de valor não revelado) da marca de vestuário Reserva, para desenvolver seu sistema de logística reversa. Através da tecnologia, a Reserva passa a ser também responsável pelo pós-consumo de seus usuários. O cliente que tem roupas da marca usadas, pode troca-la por descontos em roupas novas. Na solução batizada de Resale as a Service (revenda como serviço em tradução livre) a Troc realiza o processo de coleta e revenda das peças.
Com sistema logístico robusto e escalável, Toniolo espera fechar parcerias também com outras importantes marcas nacionais. “Essa parceria é importante pois agora temos a chancela do produto e da marca, dizendo que a moda circular é o futuro”, destaca Luanna.
O brechó espera receber uma nova rodada de investimentos até o final de 2020.
Na visão da CEO a moda circular é sinônimo de consumo consciente e a tecnologia já é aliada no processo. O GazzConecta entrevistou com exclusividade Luanna Toniolo, sobre sustentabilidade e tecnologia no ramo da moda.

Como a tecnologia pode fomentar a sustentabilidade na indústria da moda? 

Hoje nós sabemos que a cada segundo um caminhão de resíduo têxtil é levado para o aterro sanitário no mundo. A tecnologia pode ajudar na realização de cálculos para produzir apenas o que será vendido, com base em informações de vendas e produção considerando o mínimo de descarte. Metade das produções do varejo não são vendidas pois se produz demais e as peças acabam ficando como resíduo.
O ideal seria também trazer para os consumidores informações sobre quantidade consumida e saídas para que os usuários possam comprar menos ou escolher peças de qualidade. A tecnologia será a maior aliada desde a produção, venda e pós-venda para que todos sejam responsabilizados do começo ao fim.

Qual é o conceito de moda circular e como consumir com consciência? 

Nós somos a realização da moda circular. O conceito é de reaproveitamento do que já existe no mundo considerando que aquele objeto, seja uma roupa ou não, tenha vários usuários e não um único dono. Na economia circular a peça pode ser usada várias vezes, por vários usuários. Consumir com consciência é pensar no impacto que geramos através das nossas compras.

Houve um crescimento da comercialização de roupas de segunda mão após o início da pandemia?

Estamos apurando o que vem a ser antes durante e depois, mas por ser um e-commerce nacional o que conseguimos sentir é uma mudança de comportamento. O que imaginávamos caminhar, em mudança de conceito e cultura em três anos avançamos em semanas.
O comportamento, o interesse das pessoas em venderem suas peças e o tráfego no site aumentaram muito. A pandemia, o isolamento e o medo nos forçou a pensar no que estávamos fazendo, quanto estávamos consumindo. Será que faz sentido esse formato de vida? Com esse senso de coletivo, aumentou o pensamento para mundo mais sustentável. Para a Troc é muito claro, quanto mais oferta temos, mais vendas são realizadas, gerando um ciclo virtuoso de crescimento.

O brasileiro está aderindo mais ao consumo de roupas usadas? 

O interesse do brasileiro aumentou também por conta da globalização, nós temos uma ascensão deste segmento no exterior. As pessoas passaram a ter orgulho de comprar em brechó e dizer que são sustentáveis. Acredito que este é um caminho sem volta.
O movimento da adesão do second hand (segunda mão em tradução livre) está crescendo e nós inclusive o estimulamos. Os brechós tem a Troc como uma referência e iniciamos o projeto Troc para Brechós. Desde julho fornecemos peças para parceiros a preço fixo, fomentando esse ecossistema. Quanto mais unidos os brechós estiverem mais conseguimos fazer um alinhamento de comunicação e uma virada cultural.

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