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Na corrida global por talentos, a Arábia Saudita quer tomar a dianteira ao criar subsídios capazes de atrair profissionais de todo o mundo. Crédito: NEOM/Unsplash.

Vision 2030

Como brasileiros podem aproveitar as oportunidades na Arábia Saudita

Maria Clara Dias
Maria Clara Dias
29/12/2023 15:15
No especial “Visão 2030 Arábia Saudita”, o GazzConecta mergulha na cultura, oportunidades e tendências de um dos países mais ricos do mundo
“Não tem como a Arábia Saudita não ser o próximo hub de inovação e sustentabilidade no mundo”. A avaliação do empreendedor e correspondente do GazzConecta Diogo Ruiz traduz, em boa medida, a ambição do país arábe para um futuro próximo.
Em viagem recente ao Oriente Médio, Ruiz visitou importantes hubs econômicos do país, além de acompanhar de perto projetos que devem estabelecer novos padrões para o planeta. Ele é categórico ao afirmar: está na hora de o mundo voltar seus olhares para uma das nações mais prósperas da atualidade.
Os esforços voltados à modernização do país envolvem, entre outras coisas, um robusto plano estratégico baseado em investimentos em tecnologia e sustentabilidade, chamado de Saudi Vision 2320. Na idealização deste ambicioso plano, que busca diversificar as fontes de receita do reino para além do petróleo, está o príncipe herdeiro e atual primeiro-ministro do país, Mohammed bin Salman.
Sob o comando de Mohammed, o país tem, também, dado passos largos em direção a investimentos maciços em tecnologia e inovação. Na lista estão ações que vão desde o investimento em startups e aliança com grandes empresas de tecnologia à privatizações de companhias públicas e o desenvolvimento de cidades futuristas e sustentáveis, dignas de filmes de ficção científica. O objetivo é um só: tornar o país o próximo polo tecnológico global e uma das principais destinos turísticos do Oriente Médio -- quiçá do mundo.
Mas, afinal, como os brasileiros podem se beneficiar da corrida tecnológica da Arábia Saudita? Para Ruiz, a resposta mais clara está relacionada à geração de empregos e a uma demanda por mão de obra qualificada em setores como construção civil, tecnologia e indústria.
“A magnitude do que tem sido feito por lá demanda pessoas dispostas e qualificadas”, diz Ruiz, em referência a grandes projetos em desenvolvimento no país, a exemplo de usinas de energia, centros turísticos e cidades sustentáveis como The Line, parte do projeto bilionário NEOM.
Na corrida global por talentos, a Arábia Saudita quer tomar a dianteira ao criar subsídios capazes de atrair profissionais de todo o mundo, ante destinos como Estados Unidos, Europa e o vizinho, Emirados Árabes.
Ganhar a preferência desses profissionais - especialmente do setor de tecnologia - dependerá, em boa medida, do investimento em programas sociais em áreas como habitação, saúde e bem-estar. “O que escutei muito foi que oportunidades de trabalho não faltarão nos próximos anos”, afirma Ruiz após o contato com comunidades de brasileiros que moram no país.
De acordo com o documento oficial do Vision 2030, o governo saudita pretende flexibilizar as normas para trabalho e residência de não-sauditas nos próximos anos. “Alcançar a taxa desejada de crescimento económico exigirá um ambiente que atraia as competências e capacidades necessárias, tanto dentro do Reino como para além das nossas fronteiras nacionais. Procuraremos melhorar as condições de vida e de trabalho dos não-sauditas, alargando a sua capacidade de possuir bens imóveis em determinadas áreas, melhorando a qualidade de vida, permitindo a criação de mais escolas privadas e adotando um sistema eficaz e simples de emissão de vistos e autorizações de residência”, afirma o relatório.
Uma mudança nas leis laborais também é esperada até o fim da década. Conhecido por ser um dos países mais restritivos para mulheres, a Arábia Saudita estima ampliar a participação feminina na força de trabalho até 2030. Atualmente, elas representam 36% da força de trabalho total do país e estão à frente de quase metade da liderança de pequenas empresas e startups no país - valor que já superou 20% da meta que estava prevista no lançamento do Vision 2030.
Apesar da sinalização do país em flexibilizar algumas regras para a recepção de estrangeiros, é preciso estar atento às exigências para moradia e trabalho no país, como a emissão de vistos e autorizações de residência, atualmente em curso.

Atenção às PMEs

A predisposição em investir nas melhores ideias de negócios que surgem por ali sinaliza um momento único para o empreendedorismo no país. Prova disso é que, em sua visão de futuro, a Arábia Saudita definiu o apoio ao empreendedorismo como um dos seus pilares centrais da economia. Atualmente, as pequenas e médias empresas (PMEs) representam 20% da economia local, e o objetivo é ampliar o percentual para 35%.
Para chegar lá, o país recentemente criou a Monsha'at, entidade responsável pelo apoio a pequenas e médias empresas da região. Além disso, o país promete “continuar a incentivar jovens empreendedores com regulamentações favoráveis às empresas, acesso mais fácil ao financiamento, parcerias internacionais e uma maior proporção de compras nacionais e licitações governamentais”, descreve o relatório do Visão 2030.
Com recursos quase infinitos à sua disposição — o Fundo Soberano Saudita tem, atualmente, US$ 700 bilhões - ideias de negócios podem encontrar no país um ambiente próspero para ganhar forma. “Os empreendedores, por si só, inovam por não aceitar o status quo. Querem se manter sonhadores, e o príncipe, hoje, tem um pouco dessa visão para o futuro. Está disposto a transformar o país a partir dessa posição empreendedora”, diz Ruiz. “Qualquer bom projeto tem potencial para sair do papel assim”.

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