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Foto: Chronis Yan/Unsplash

Ação Inovadora

5 dúvidas comuns sobre acesso a crédito voltado à inovação (e as respostas para elas)

GazzConecta
24/11/2020 10:00
Nem toda inovação requer grandes investimentos em dinheiro: uma mudança em um processo interno, por exemplo, pode ser vantajosa para o negócio sem custar nada - exceto o empenho da equipe em promover esta melhoria. Mas tem ideias que precisam de recurso para serem colocadas em prática - e embora haja uma série de linhas de crédito disponíveis aos empreendedores que querem inovar, há também dúvidas relacionadas ao acesso a recursos nesses casos.
Na terceira fase do projeto Ação Inovadora, quem responde questões sobre este tema é o diretor de mercado da Fomento Paraná, Renato Maçaneiro. Graduado em Matemática pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Maçaneiro começou a trabalhar na instituição financeira estadual (que se chamava Banco de Desenvolvimento do Paraná, o Badep) aos 14 anos, como office boy. Fez carreira na área de tecnologia, trabalhou na área de dívida pública da Secretaria Estadual da Fazenda e está na Fomento há 16 anos.
Uma das maiores dificuldades que enfrentamos para inovar é a carência de recursos. E os financiamentos para inovação são difíceis de serem acessados pelas micro e pequenas. Como agir?
Quando tratamos de recursos para a inovação, devemos entender que além da finalidade em si do recurso, precisamos entender como é esta empresa que pretende tomar o recurso. Qual o tempo de atividade desta empresa? Esta ação inovadora (novo produto ou novo processo)  precisa ser aderente à diversidade de linhas específicas existentes. Atualmente existem linhas para inovação muito simples de serem acessadas, em alguns casos, conforme o fornecedor do equipamento ou serviço , o enquadramento como “inovação “ já se dá de forma automática, conforme critérios por exemplo da FINEP, principal fonte de recursos para inovação a qual a Fomento Paraná é repassadora de recursos. Antigamente classificar uma ação ou produto como inovador realmente era uma tarefa árdua, mas atualmente esta análise foi bastante simplificada.
Como inovar sem orçamento para isto?
A inovação em geral remete à automatização e grandes investimentos. Contudo um novo olhar sobre um processo, uma nova forma mais ágil e mais aderente às necessidades do seu cliente, rever processos, custos, fornecedores e o valor do produto que se está entregando, tudo isso é inovação sem necessariamente ter a obrigatoriedade de investimento financeiro.
Sempre fico em dúvida se devo buscar um crédito de curto ou longo prazo para inovar, qual a vantagem de cada um deles?
O bom crédito é análogo à prescrição de um remédio, ou seja, se for em dose ou momento errados pode matar o paciente. A questão do crédito ser de curto, médio ou longo prazo deve estar muito aderente ao plano de negócios estipulado, ao tempo que o empreendimento precisa para fazer “girar” este recurso e fazer caixa suficiente para o reembolso do financiamento, sem asfixiar o próprio negócio.
Em geral, a inovação exige um tempo maior para que os resultados se efetivem financeiramente e com isto, o aumento de lucratividade faça frente ao pagamento do financiamento. Um prazo maior gera uma parcela mensal menor no fluxo de caixa, contudo leva também a um pagamento maior em termos de juros ao longo do financiamento. O ideal é que o tempo de financiamento seja adequado e aderente ao plano de negócio, fazendo com que os recursos captados façam render mais lucro para o próprio empreendedor.
Como lidar com a falta de garantias reais para a tomada de crédito?
Já há algum tempo o sistema de garantias vem se aperfeiçoando com a criação de vários mecanismos para substituir ou complementar as tradicionais garantias reais (imóveis, móveis, etc.). Na Fomento Paraná, dependendo do valor do financiamento e porte da empresa, trabalhamos com aval, fundo garantidor de investimento (BNDES FGI), cartas de garantia das sociedades garantidoras de crédito (são seis sociedades cobrindo todo o estado), fundo de aval garantidor próprio do governo do estado (hoje focado no segmento de turismo), fundo de aval da micro e pequena empresa (gerido pelo Sebrae) e, recentemente, o fundo garantidor de investimento PEAC, para pequenas e médias empresas. O importante é adequar as possibilidades do empreendedor às melhores garantias disponíveis.
É possível reduzir o tempo de espera pela liberação de um financiamento do Finep? Como?
Entendemos que para isto há duas dicas básicas: a primeira é ter muito claro qual será o objeto de inovação que deverá ser financiado e, com o apoio da instituição financeira, identificar dentre as diversas opções de linhas da Finep, aquela mais aderente à necessidade do empreendedor.
A segunda é o empreendedor fazer a lição de casa no sentido de preparar toda a documentação necessária, principalmente ter muito bem organizado os números do seu negócio e estar em dia com todas as suas obrigações fiscais. Desta forma, os ritos serão mais ágeis e os recursos chegarão no momento esperado e oportuno ao negócio.

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