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A adoção de macas-cápsula foi uma das estratégias adotadas para impedir que pacientes Covid transmitissem a doença para outras pessoas dentro do hospital.

Ação Inovadora

Para lidar com pandemia, Hospital Marcelino Champagnat criou “operação de guerra”

Vivian Faria, especial para GazzConecta
23/10/2020 11:00
O Paraná ainda estava começando a tomar medidas para o combate à Covid-19 quando o primeiro paciente acometido pela doença foi internado no Hospital Marcelino Champagnat, ligado ao Grupo Marista. Foi no dia 19 de março, o primeiro de uma série de aproximadamente 40 dias definidos pelo diretor geral do hospital, José Octávio Leme, como “de sufoco”. “Recebemos muitos pacientes Covid de uma vez, pacientes graves. O conhecimento sobre a doença era muito restrito, a velocidade de contágio era gigante e nós tivemos que aprender a lidar com isso”, resume.
O grande número de internamentos em um curto período foi apenas o início. Com ele, veio a infecção de médicos, enfermeiros e outros funcionários, que precisaram ser afastados do trabalho e substituídos. Ao mesmo tempo, o hospital teve que entrar na briga mundial por equipamentos de proteção individual, que inicialmente sumiram do mercado e ficaram muito mais caros.
Enquanto isso, consultas, exames e cirurgias eletivos que garantiam a receita do estabelecimento - e também a sustentabilidade da área de saúde do Grupo Marista, composta ainda pelo Hospital Cajuru, que atende apenas pelo SUS - tiveram uma diminuição drástica. “O hospital é uma estrutura empresarial muito alavancada, temos um custo fixo muito alto. Como a nossa ocupação foi a 35%, o impacto econômico foi muito grande. Foram três meses muito difíceis: abril, maio e junho”, diz o diretor.

Plano de combate à crise

Para lidar com tudo isso da melhor forma possível, foi criado um comitê de gerenciamento de crise, que se reunia diariamente para avaliar todas as informações disponíveis e tomar as decisões necessárias. Além dele, contribuíram para a construção do plano de combate à crise do hospital -que, conforme Leme, era quase uma “operação de guerra” - um conselho de médicos, uma consultoria e o Hospital Albert Eistein, de São Paulo, com quem os gestores do Marcelino trocaram muitas informações.
O plano consistiu, inicialmente, em dividir o hospital em dois - um para pacientes com problemas respiratórios e outro para o restante dos pacientes - para reduzir as chances de contágio no estabelecimento. Com isso, médicos e pacientes da ala Covid não compartilhavam espaços com outros médicos e pacientes, nem mesmo os acessos ao hospital. A única exceção eram salas de exame com equipamentos de grande porte. Nesse caso, havia um horário específico para uso do ambiente por pacientes Covid, os quais eram levados até ele em uma maca-cápsula.
Além disso, funcionários de grupos de risco foram afastados, respiradores foram comprados, protocolos de higiene foram revistos e antecâmaras de pressão negativas que filtram o ar foram instaladas nos acessos às “áreas Covid”. O hospital também criou uma ferramenta de telemedicina para poder acompanhar os pacientes com sintomas respiratórios leves sem que eles precisassem sair de casa e um protocolo para cirurgias seguras nos momentos em que não havia restrição a procedimentos eletivos.
Foram feitos ainda diversos treinamentos, tanto para integrar os profissionais que vinham substituir funcionários do hospital que adoeciam, quanto para manter toda a equipe a par dos protocolos recomendados pelas autoridades de saúde, que foram sendo atualizados à medida que se aprendia mais sobre a doença. O investimento financeiro em todo o plano ficou na ordem dos R$ 500 a R$ 700 mil.
“Implantamos tudo isso no mês de maio. A partir de junho estávamos preparados para lidar com a Covid-19”, afirma Leme. Com isso, o hospital conseguiu não apenas salvar vidas, mas evitar infecções em seu interior. O número de funcionários com Covid também diminuiu e os casos registrados mais recentemente tiveram origem fora do ambiente de trabalho.
A reorganização também permitiu um retorno rápido aos atendimentos eletivos. De acordo com Leme, o movimento das cirurgias está em 70% do normal, enquanto do pronto atendimento e das consultas e exames eletivos está em 60% do normal. Dessa forma, mesmo que o resultado financeiro ao fim do ano seja distante do inicialmente planejado, o estabelecimento também conseguiu evitar danos ainda maiores à saúde financeira dos hospitais do grupo.
Além disso, ficaram aprendizados sobre como agir em uma situação como essa, como conviver com o vírus daqui para frente e como organizar um hospital, considerando questões como estrutura física, pessoal, protocolos e comunicação, de uma forma mais segura e eficiente.

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